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  História e Arquitectura da Freguesia de Olaia

  História
Situada a cerca de 7 km para norte da sede concelhia, a freguesia de Olaia abrange uma área com 24,5 Km2 e com 1917 habitantes, onde se incluem as aldeias de Lamarosa, Árgea, Barroca, Pé de Cão, Valhelhas e Chícharo, sendo de realçar que o nome da freguesia não advém do nome de qualquer localidade, mas sim da Igreja Matriz, já que não existe nenhuma aldeia com o nome de Olaia.

Esta freguesia actualmente no concelho de Torres Novas, era um curato da apresentação do Prior de Sant'Iago de Torres Novas. Antigamente, pertencia à comarca de Estremoz, passando depois para o actual concelho.

Foi instituída freguesia, entre 1708 e 1758, período em que surge (1725) o primeiro registo paroquial. Olaia deve o seu nome à árvore desse nome, que porventura terá existido em profusão nesta zona, ou então, segundo alguns autores, a Santa Eulália (embora o seu orago tenha sido sempre Nossa Senhora do Ó).

Da igreja matriz, ressalta uma imagem da Senhora do Rosário, bonita escultura em madeira do século XVIII. Substitui a imagem da padroeira, vendida em meados do século a um antiquário de Torres Novas que a vendeu a um outro de Lisboa.

Dado não haver data certa da criação da freguesia de Olaia, coloca-se a hipótese de ser o dia 18 de Dezembro, por ser o dia de Nª Srª da Expectação ou do Ó, orago da freguesia.
  A Igreja Matriz de Olaia
Quando teria sido construída a Igreja de Nª Srª do Ó ou da Expectação da Olaia?

Nem no interior, nem no exterior do templo existem qualquer datas que nos possam dar uma pista. Sabe-se que é a matriz da freguesia e que servia religiosamente todos os lugares, ainda sem capela.

Os mais antigos documentos que nos testemunham a existência de um templo naquele local são, sem dúvida, as pedras tumulares que foram encontradas em 1873, quando se escavou para ali abrir o actual cemitério.

Essas estelas funerárias, remontam aos séculos XIII e XIV.

É evidente que, se se acharam naquele local pedras tumulares provenientes dos séculos XIII e XIV, haveria ali sem dúvida um templo nessa era.

Aliás, através da reconstrução da igreja deduz-se a existência de construções muito antigas e o seu piso era integralmente preenchido por sepulturas. Pensa-se que a capela-mor teria sido a primeira edificação a até se alvitra que ali tivesse existido uma mesquita, posteriormente reconvertida em igreja cristã.

Estas suposições baseiam-se na história, pois toda esta zona, que esteve mais de quatro séculos na posse dos mouros, foi definitivamente conquistada no reinado de D. Afonso Henriques.

Gualdim Pais (o célebre mestre da Ordem dos Templários que tinha sede em Tomar), com os seus cavaleiros, colaborou notavelmente na defesa dessas terras contra a investida dos muçulmanos.

A Ordem dos Hospitalários, que teve castelo em Belver e sede no Crato e a Ordem de Calatrava ou Avis cuja sede se situava em Avis (Alto Alentejo), foram também elementos verdadeiramente actuantes nas lutas da reconquista e na defesa do território recém-conquistado pelos Portugueses.

É evidente que estas ordens religioso-militares tiveram bastante influência no povoamento e desenvolvimento das zonas do Ribatejo, Beira-Baixa e Alto-Alentejo.
Estes factos levam-nos a pensar nas cruzes simbólicas gravadas nas cabeceiras tumulares da Olaia.
Identificariam a sepultura de algum membro das ordens, talvez irmão leigo? Ou teriam sido esculpidas num acto de ligação aos senhores, tipo vassalagem? Ou apenas por gesto pessoal, devoção?
  Arquitectura
A igreja de Olaia é um templo simples, formado por uma só nave.

Em finais do século XVII teria sofrido um grande restauro, dado que a pintura do tecto da capela-mor parece remontar a essa época e os seus belos azulejos, são, em tudo, idênticos aos das igrejas de Salvador e da Misericórdia de Torres Novas, de 1674.

Também os altares colaterais (Nª Srª do Rosário e S.António) tem retábulos de talha dourada e são decorados com colunas salomónicas, anjos, aves e cachos de uva.(inserir foto do interior da igreja de Olaia)

É interessante verificar que possivelmente nesse restauro ou talvez após o terramoto de 1755, na reparação das paredes se empregaram duas pedras tumulares, uma como verga da porta do púlpito e a outra incrustada numa das paredes da sacristia, com as datas de 1608 e 1609, respectivamente. A inscrição desta última, em tradução actual diz: "De Simão Dias e de suas mulheres e herdeiros".

É que, quando do terramoto, segundo diz o padre Manuel Alves Fragoso, cura de Olaia, em relatório de 30 de Março de 1758 "renderam por partes as paredes da Igreja mas já estão reparadas e não houve na freguesia mais ruína nenhuma".

A pia baptismal é simples e revela grande antiguidade. Em tempos retirada da igreja, serviu de bebedouro para o gado, mas ao seu lugar condigno regressou e ali marca a presença a presença dos séculos. Entre muitos nela foi baptizado o Arcebispo de Évora, D. Manuel Mendes da Conceição Santos, natural de Pé de Cão onde nasceu em 13/12/1876.

Na igreja existe uma imagem de Nª Srª do Rosário, do século XVIII, estofada e policromada, com bastante interesse artístico

O púlpito tem balaustrada de pau-santo sobre base de pedra.
  Nª Srª do Ó de Olaia
A imagem do orago, Nª Srª do Ó de Olaia, de grande valor, esteve até ao ano 2000 no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa.

Esta imagem, vendida pelo prior da freguesia, nas primeiras décadas do séc.XX, a um negociante de arte, depois de um percurso atribulado acabou por ser doada por um coleccionador de arte àquele museu em Lisboa.

Depois de grandes esforços por parte de moradores da freguesia e da câmara municipal, finalmente a imagem regressou à sua origem, ficando por motivos de segurança no Museu Municipal de Torres Novas.(inserir foto da imagem)

Esta não é no entanto a imagem original da freguesia. É mais pequena e mais moderna. A original era do século XIII e esta data do século XIV.

No entanto o seu valor artístico é grande e em termos simbólicos tem o mesmo valor.
  As Estelas Funerárias
Cinco das seis cabeceiras de sepultura medievais encontradas e que tinham sido levadas para o Museu Distrital de Santarém, entre 1876 e 1880, regressaram ao concelho de origem ao abrigo de um protocolo assinado em 1997entre as duas autarquias, e ficando expostas no Museu Municipal Carlos Reis. A sexta cabeceira tumular permaneceu no Museu Municipal de Santarém.

Estas pedras em forma de disco, erguiam-se verticalmente e sagravam os campos dos adros das igrejas onde se inumavam os mortos naquela época.

São esculpidas nas duas faces. Bastante interessantes, os seus baixos-relevos representam como era usual na Idade Média, pessoas, animais, instrumentos e objectos relacionados com a lavoura e outros ofícios, bem como reproduzem ainda a Cruz dos Templários, de Avis, de Malta e o signo de Salomão.
  Coroa do Divino Espírito Santo
Em 1916 foi feito o primeiro inventário dos bens da Igreja. Entre os diversos objectos inventariados há um destaque especial para a Coroa do Divino Espírito Santo, toda em prata, afirmando-se que essa peça além de muito valiosa era do séc. XVIII.